terça-feira, 13 de setembro de 2011

NOITE SEM FIM - PRÓLOGO

Saudações a todos que por aqui passarem!

Conhecido apenas como o "Tecelão", irei me utilizar deste espaço para publicar histórias, características e outros aspectos que compõem o conturbado mundo de Ghondaria - também conhecido como a "Terra dos Penitentes".

E, marcando o início de nossos contatos, irei dar início a uma história incomum deste mundo: uma lenda singular, ocorrida lá recentemente (mas tão grandiosa, que virou lenda rapidamente).

Sem mais delongas, que a narrativa comece!

PRÓLOGO

"Uma tênue chama irrompia no escuro, acompanhada por suspiros dos mais franco alívio. O jovem esgueirou pela parede, aproximando-se mais da porta e observando os arredores por sua fresta.

'Nada à vista'. Um suspiro mais longo libera o ar, pesado graças à tanta tensão.

A cautela logo retomou seus pensamentos, em passos calmos e silenciosos. Buscou identificar rapidamente o local - repleto de sucata e ossos - como se à busca de algo particularmente especial.

Nada do seu interesse foi encontrado, e a insegurança cresceu com tal constatação. Sua mão esquerda instintivamente cobriu a empunhadura de sua adaga, graças a um mau pressentimento.

Aproximou-se da porta novamente, esta irredutível em sua posição, por onde entrou antes. Seu peso impõe ao sujeito a difícil adaptação em sua fresta, que torna-se mais complexa em função de ruídos e dores...

A luz pálida do papiro que acendeu às pressas encontrava o seu fim, e o aventureiro procurava freneticamente por sua lamparina, entre tantos utensílios na mochila de couro que carregava. O fogo ganhou vida no aparato, e quase todo o corredor foi banhado por sua luz.

Graças à iluminação aprimorada, o invasor pôde identificar uma inscrição entalhada na parede, imprecisa graças ao desgaste natural:

'Câmara Principal - logo à frente'

Ali próximo, uma figura distinta reparava tubulações na pared., Tinha pouco mais de um metro de altura e seu torso era circular, de braços longos e pernas curtas, em uma densa cor escura - tão pesada quanto o chumbo.

Sua mão comprimiu-se contra a adaga, e seus olhos castanhos acirravam-se para o ataque. 'Cheguei longe demais para desistir aqui'. Sua opinião reforçava exatamente o que fazer, graças à sua experiência em explorações.

Aproximou-se vagarosamente da bifurcação onde trabalhava o pequenino. Desembainhou sua lâmina e, num impulso rápido, lançou-se contra o mesmo, visando sua cabeça circular de ferro fundido.

A lamparina atrás de si iluminava o curso de sua faca, que adentrou por uma fresta entre cabeça e torso. A força do jovem fazia-se visível no suor acumulado em sua testa, e apenas o ruído singular de estilhaços aliviou sua tensão. O 'homem de lata' desfez-se de imediato, uma pilha de sucata e nada mais.

A poeira do esquecimento apagou parcialmente alguns glifos nas paredes, que indicavam o caminho da esquerda - uma escadaria para o andar inferior da câmara. O caminho à direita era bem visível: uma porta bloqueada por entulhos e desmoronamentos, nada conidativo para um explorador.

A cada degrau, sua expectativa aumentava: tinha em mãos sua lâmina, companheira fiel de tantas situações como aquela, pronta para qualquer desafio. Por outro lado, tantas armadilhas e autômatos nos arredores só podiam significar uma coisa - o alto valor das Relíquias ali guardadas...

A câmara inferior estava aberta, sua pesada porta de ferro retorcida em um dos cantos. No seu centro, uma pilastra de vidro preenchida por um denso líquido acinzentado, e um volume distinto nele imerso.

'O quê será isso...?', a mente do explorador mantém esse questionamento, e a visão torna-se mais clara.

'Um ser humano... Aqui?'

Seu pensamento é surpreendido pela presença de dois autômatos, robustos e lerdos como aquele encontrado anteriormente. Cientes da presença do invasor, estenderam seus braços de lata em sua direção, expandindo-os em grande velocidade.

O jovem consegue escapar de um ataque, mas o segundo punho o surpreende. A força do golpe o lança contra a parede, e o sangue em sua boca condiz com a dor infernal no baço.

Sua recuperação foi rápida o bastante para evitar novos ataques, que destruíram dois painéis de controle às suas costas. Percebeu que sua adaga seria muito pouco para detê-los de imediato, e a embainhou - com um ousado plano em mente...

Aproveitando-se apenas da sua agilidade, o explorador preocupou-se em atrair as atenções dos autômatos, esquivando-se de seus ataques e, com alguma sorte, acionando o mecanismo do pilar principal.

Os golpes irregulares e fortes destruíram completamente o aparato, e o pilar foi recolhido pelo chão. O líquido era pesado demais para fluir pela câmara, e foi prontamente absorvido pelo sujeito que lá estava.

Seus olhos eram da cor do fluido, acinzentado e sem pupilas. Seu torso nu em nada se distinguia ao de um ser humano, mas a reação dos demais autômatos foi bem adversa: o afastamento.

Ao perceber que não estava só, o sujeito volta-se para os homens de chumbo. Suas mãos alongam-se, lembrando lâminas de espada, e um golpe veloz imprime sua marca nas paredes. Os pequeninos foram imediatamente dilacerados, sem a menor resistência.

O jovem assiste embasbacado a tanta força, e acolhe o recém-desperto quando este cai novamente na inconsciência. O teto da câmara começa a ruir, e a luta contra os ferimentos para escapar torna-se mais acirrada em cada passo.

Os dois, enfim, conseguem escapar das ruínas - e o sol forte do meio-dia os acolhe com sua luz, intensa e incapacitante para quem estava no escuro até o momento. Aproximando-se de seu acampamento improvisado, carregou o sujeito até sua tenda.

Passou um bom tempo se recuperando de seus ferimentos até que o sujeito voltasse ao mundo.

- O...onde estou?

- Ora... enfim, você acordou, Maxwell. - Não havia o menor sinal de surpresa na voz do explorador, que já tinha em mãos algumas roupas limpas.

- Maxwell... - Comentou, contemplando a sonoridade do nome. - E quem é você?

- Drake, seu irmão. - Um rápido aperto de mãos encerrou a saudação, antes que outros afazeres fossem adotados. - Agora, vista-se porque temos que partir imediatamente.

- Para onde? O que aconteceu comigo? Quem sou eu?

A torrente de questões causou risadas no apressado Drake.

- Calma, irmãozinho. - Um abraço tornou estas palavras mais reconfortantes. - Vou contar tudo enquanto viajamos. Kannon Town não está longe e, assim que lá chegarmos, um bom banho e comida quente irão temperar a história!

Maxwell, como passou a ser chamado, pouco entendia tudo aquilo. Mas o ronco faminto de seu estômago interrompeu imediatamente tantas questões.

- É disso que estou falando! Vamos logo, garoto.

A risada inconfundível de Drake ecoôu pelas dunas no deserto.

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