A Guerra Arcana
A tensão proliferava entre os povos como rastilho de pólvora. De um lado, os melhores Metamagos do Oeste fabricam Golens e máquinas de guerra para o iminente combate (consequentemente, causando males ainda maiores ao mundo), ao passo que no Leste o Pacto Natural é forjado entre Dragonitas, Elfos e Fenn-Rir – em prol da integridade natural de Ghondaria.
Em pouco tempo, os titãs de aço e fogo liderados por Logus começaram a marchar rumo às florestas allaniyanas, e a infame Guerra Arcana teve início...
Os campos de batalha tornaram-se grandes desertos vermelho-sangue, e muitas vidas foram desperdiçadas. A cada embate, aumentavam-se os temores entre os allaniyanos, pois o poder destrutivo da Metamagia tornou-se forte demais para suas defesas. Como se isso não bastasse, a injustificada ausência dos Fenn-Rir na batalha os deixou em franca desvantagem, e a vingança logo nasceria.
Os Dragonitas compunham o “front” do Pacto, e a morte quase dizimou seu povo. Só o comando do Dragão Selvagem Sha'anti, os reptantes recorreram a inúmeros rituais para convocar os espíritos da natureza e afugentar a frente de batalha.
Em Bohrran, a situação se agravou. O que antes era inimizade motivada pelo temor tornou-se luta pela sobrevivência – os Gnar'ral começaram a caçar compulsivamente os filhostes Fenn-Rir, para que servissem de alimento em tão insólitas terras. Os melhores guerreiros dentre os Herdeiros de Fenn mobilizaram-se para proteger os covis de seu povo – sem, no entanto, tomar a frente em um ataque, segundo o desejo de seu “pai”.
Depois de um século de combate sangrento, o ápice da Guerra Arcana causaria o caos à esplendorosa terra de Ghondaria...
Vestígios da Guerra
Depois de um longo período de sangue e terror, a Guerra Arcana chega ao seu fim. Na mítica Batalha de Allenaria, no coração da grande ilha, Penitentes reuniam-se à margem do território allaniyano, ao passo que o Pacto Natural tentava reunir mais forças para o combate derradeiro.
Em Bohrran, a situação entre Fenn-Rir e Gnar'ral chegou ao limite. Na tentativa de salvar seus filhotes e impedir um confronto, Fenn e Själla foram até a principal cidade de seus conterrâneos, garantir um acordo de paz entre os povos. Mas, no território deles, não encontraram mais que a morte imediata.
O rancor entre os Fenn-Rir era tamanho que, em uma única noite, todos se reuniram para um ataque violento e maciço contra os Gnar'ral, no episódio conhecido como Lua Vermelha. Nenhum dos visitantes sobreviveu a este combate, e suas armas pouco fizeram para conter a fúria dos guerreiros de Fenn.
Uma última convocação foi feita para os lupinos de Bohrran, em nome de Allaria, lutarem contra as terríveis máquinas de guerra vindas do Oeste. A fúria minou suas mentes, e o apreço pelo combate tornou-se a única maneira de reduzir a dor de sua perda.
A batalha estava próxima do fim em Allenaria. Os Homens estavam próximos da vitória – suas máquinas incansáveis derrotaram grande parte da força èlfica, e os Dragonitas estavam a um passo da derradeira extinção. Allaria e S'haanti reuniam suas forças para um ataque final, quando os Fenn-Rir juntaram-se ao embate, e sua força foi primordial para evitar a vitória dos ambiciosos.
Foi neste instante que a maldição abateu-se sobre Ghondaria. Em um momento de fraqueza e ódio, S'haanti encontrou um desprevenido Logus, e o feriu fatalmente no flanco com suas garras.
A Ira do Tecelão
A morte de Logus foi a gota d'água para Ghondaria, que não aguentava mais tanta destruição. Em uma condição impensada por muitos, todo o Destino que revestia o presente se agigantou em uma enorme explosão, e todo o arquipélago por ela foi afetado – o céu, a terra e os seres vivos tornaram-se cinzentos, impregnados pela negatividade decorrente da Guerra, e a ilha que abrigava a todos estilhaçou-se no Mar Aberto. A água pura do Lago da Criação foi suprimida pelas águas escuras do mar, e um pequeno arquipélago se formou do lugar que antes seria o refúgio de vários povos...
Os espíritos de todos que morreram no conflito regressaram ao mundo dos vivos, graças à fusão das dimensões que até então eram paralelas – o Limbo (onde os mortos viviam) e Ghondaria. Agora, os mortos impregnariam a terra e a vida com sua essência negativa, e o Destino deixou de ser tangível para todos para tornar-se completamente caótico para os sobreviventes.
Tanta catástrofe ocasionou a morte de milhares, e a vida natural foi severamente reduzida. Sentimentos como pânico, fúria e temor tornaram-se comuns, assolando animais e indivíduos como pragas. Surgiam então os Inquietos – entidades oriundas da maldade e portadoras de grande poder.
Allaria e S'haanti, exauridos pelo poder da Dissonância – denominação aplicada à catástrofe – realizaram seus últimos esforços para salvar Ghondaria da erradicação. A Dama da Ternura convocou suas mais fiéis e poderosas seguidoras para conjurar um campo de força, capaz de salvar parte da floresta que tanto amam. O Dragão, por outro lado, ofereceu-se em sacrifício para seus Filhos e Veneráveis, no intuito de que sua força impedisse o nascimento do mal.
Para os Fenn-Rir, o mal desencadeado pelos Gnar'ral consumiu a beleza em Ghondaria e, na busca por respostas para uma cura, receberam dos Veneráveis a punição por seu crime. De Fenn, receberam a mácula da ira, presente na cor escarlate dos seus olhos; e de Själla, receberam a sina de nascer e morrer nas terras marcadas pelos assassinados.
Apesar dos esforços, Ghondaria estava tomando um novo futuro, enevoado pelo rancor dos antepassados e desesperanças dos sobreviventes...
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