quarta-feira, 28 de setembro de 2011

NOITE SEM FIM - Primeiro Ato: PERGUNTAS

Saudações novamente, visitantes.

Nesta noite cálida, regresso de meu mundo para concluir a primeira parte da história Noite Sem Fim, com muitas perguntas e nenhuma resposta (como o próprio nome já sugere...)

Aproveite a leitura!

Parte Final

"O clima denso em Kannon Town contagiou Olívia. Para onde quer que olhasse, crivos de balas e outras formas de depredação indicavam o quão violento foi o ataque.

O enterro de sua bondosa Tia mobilizou os populares, que prestavam solidariedade para a jovem e, ao mesmo tempo, mantinham-se alertas com o seu 'acompanhante'.

Maxwell.

Os preparativos para o funeral de Tia Marcy não foram suficientes para desvencilhar sua mente de tantas perguntas. Seu primeiro contato com Max (como passou a chamá-lo) aconteceu sob circunstâncias nada comuns, e suas capacidades obviamente sobre-humanas o tornam algo único e, ao mesmo tempo, indecifrável – muito além do conhecido sobre a tecnologia Ancestral, mais conhecida como Metamagia.

Desde sua graduação, a jovem especializou-se no conhecimento Metamágico, resultante da fusão entre a tecnologia e ciência com o Destino, força natural que compõe o mundo e sua realidade. Foi a partir desta técnica que o império dos homens se formou, e a Guerra Arcana tornou-se o mais triste episódio da história...

A principal criação do seu trabalho é a construção de Golens, as míticas e incansáveis máquinas de batalha. Seu interesse e o acesso concedido pela Companhia Sandwolves permitiram o conhecimento sobre todo tipo de procedimento que envolva sua construção e/ou aprimoramento.

Agora estava ciente do que Drake queria lhe dizer na última vez que o viu, há cerca de um ano atŕas.

Ao final da cerimônia, Olívia retorna imediatamente para a mercearia, sob os olhares cobiçosos de viajantes e magnatas que desejavam sua casa. Enconrtou o misterioso jovem logo na porta, pesadamente acolhido por um rústico sofá.

- Agora, vamos conversar, irmãozinho. - A postura séria deu lugar à curiosidade, tão comum no seu ofício. - Quero que você me conte como chegou aqui, sem deixar de lado nenhum detalhe.

Maxwell conta, então, a única versão da história que conhece: seu primeiro contato com Drake, às margens de uma ruína Ancestral; o reconhecimento de seu irmão mais velho e a circunstância de tal encontro: seu resgate, após o rapto causado por um grupo de saqueadores.

- E o que você fez desde então? - O tom de voz da jovem acumulava o alívio em cada resposta.

- Tenho trabalhado com Tia Marcy, à espera de um de vocês.

A resignação mecânica de Maxwell passou a irritar Olívia. “'ocê passou dos limites, Drake'. Entendia sua posição por conhecer intimamente os Autômatos, e sabia que seu irmão os via apenas como intrumentos – visão compartilhada pela maioria dos Arqueólogos. Ela, por outro lado, acreditava em sua evolução e personalidade, graças à presença do Destino que os mantêm vivos.

- E... você passou todo esse tempo aqui, sem qualquer ambição ou desejo?

- Eu tinha um único desejo, mas já o realizei.

- Posso saber qual foi esse desejo? - A fascinação agigantou os olhos castanhos e brilhantes da jovem, e Maxwell passou a fitá-los com maior afinco.

- Conhecê-la.

A resposta transformou o interesse em total surpresa. As bochechas finas de Olívia enrubesceram de imediato, e o jovem desviou seu estático olhar para uma das janelas. O silêncio afastou-lhes um do outro por alguns minutos, pois cada um deveria enfrentar seu próprio turbilhão de sensações.

Maxwell rompeu a distância, aproximando-se devagar e tocando desajeitadamente nos ombros da jovem.

- Você está igual à Tia Marcy, quando me escondia algo.

Olívia engoliu em seco, e uma lágrima escapou furtivamente pelo canto de seus olhos.

- Eu não posso mais concordar com isso... Você precisa seguir seu próprio caminho, Maxwell!

- O quê você quer dizer...? - O jovem estava bem confuso, graças ao olhar incisivo de sua irmã, que o rasgava como a mais afiada das navalhas.

- Tudo que você viveu até agora foi uma farsa! - O choro amoleceu sua voz, como se demonstrasse compaixão. - Você não é meu irmão e, pelo que vi, nem mesmo é humano!

Maxwell ficou imóvel, sem esboçar a menor reação.

- Eu... já imaginava isso.

Olívia buscou ampará-lo, indiferente a tanta frieza. O abraçou com força, de tão culpada que se sentiu ao ter-lhe revelado essa verdade tão cruel.

- Nenhum homem é capaz de fazer o que te é tão natural, Max.

- Então... O quê sou eu?

- Isso, eu ainda não sei... - O tom acolhedor na voz doce da jovem perdeu a sua força. Ficou ao lado ele, retomando a formalidade. - Mas eu estou disposta a te ajudar com a resposta, se você desejar.

Nenhuma palavra de Maxwell, e sua reação resumiu-se a alguns passos que o conduziam ao andar da mercearia.

- Preciso descansar agora. - O tom inexpressivo em sua voz atiçou a desconfiança em Olívia, que consentiu silenciosamente.

Apenas para ver onde isso terminaria...

O cair da verdadeira noite chegou com a grande força dos ventos, e boa parte da população em Kannon Town estava entregue ao sono profundo. Sem o menor indício de luz, Maxwell orientava-se no breu, em busca de uma saída.

Esforçava-se para não emitir o menor ruído e, ao abrir a porta com cuidado, deparou-se com Olívia – vestida e preparada para uma nova viagem.

- Pretendia me deixar para trás, Max?

O jovem engoliu em seco.

- É a minha busca, e não quero que você me acompanhe.

- É mesmo? - A jovem questionou, secamente. - E você já sabe por onde começar?

O silêncio constrangeu Maxwell novamente, a ponto de sua cabeça pender dos ombros.

- Pois eu sei como encontraremos a resposta. Mas, para isso, terás que confiar em mim.

- Eu... não posso aceitar isso. - O jovem afastou-se uns três passos para trás, deixando-se dominar pela escuridão. - Você viu como posso reagir, e não quero que saias ferida por minha causa.

- Não se preocupe comigo. - A lâmina em sua cintura reluzia o luar límpido no céu. - Não serei impecilho para você. Apenas quero te ajudar, em troca de sua ajuda.

- E no quê algo como eu pode ajudar? - Maxwell dava vazão a suas emoções, e isto fascina a jovem pesquisadora.

- Suas capacidades são muito superiores às de qualquer ser vivo. E penso que teremos muitos desafios logo no primeiro passo...

Maxwell permaneceu calado, seus ouvidos bem atentos às palavras da jovem.

- A última notícia que obtive do Drake veio de Idíllien, a Torre Arcana dos Elfos, pois buscava lá pela resposta do maior dos enigmas: a origem real da Metamagia.

- E você sugere que sigamos os seus passos. - A perspicácia do jovem desmentia, em alguns momentos, sua natureza inumana.

- Sim, mas não é assim tão simples... - Olívia interrompeu seu próprio raciocínio, mais concentrada em estabelecer uma linha de ação. - Precisaremos fazer algumas coisas primeiro, para confirmar minhas hipóteses. Por isso, aconselho a irmos pela manhã, não apenas para organizar nossas ideias, como também para nos mantermos seguros.

Maxwell não esconde a sua frustração.

- Você sabe muito bem que tenho força para nos proteger...

- Mas não aprendeu a controlar todo esse poder. - A jovem persiste na constatação de circunstâncias que justifiquem sua participação. - Até pouco tempo atrás, você desconhecia esse poder, e sua manifestação acontece descontroladamente. Um dos meus objetivos nesta viagem é descobrir o que você realmente é, Max, e ajudá-lo a controlar toda a sua força.

Maxwell aproxima-se de Olívia, seus olhos indecifráveis a deixando confusa.

- Eu sei que você se preocupa comigo e, principalmente, com o seu irmão. Mas não posso te envolver com tantos riscos...

Um toque leve no abdômen da jovem foi o suficiente para lhe causar a inconsciência, antes que qualquer réplica fosse proferida. Com o máximo de cuidado, a levou até uma das camas e a deixou dormindo, bem protegida por cobertores. Sentia-se profundamente feliz por tê-la conhecido, a ponto de seu coração pulsar com maior força e satisfação.

'Irei encontrar Drake, e logo voltarei a vê-la', sussurrou ao pé do seu ouvido. Em sua voz e ações, era possível perceber o conflito que dividia sua mente: uma parte sua queria ficar com ela para sempre, protegendo-a de todo e qualquer mal; mas o seu maior desejo estava na estrada, uma jornada onde a vida do seu irmão, bem como a sua, estariam em perigo constante...

Fechou toda a casa com uma chave que levou consigo, e uma cópia ficou sobre a mesa da sala. Sem olhar para trás, afastou-se rapidamente de Kannon Town – deixando que o deserto escuro e fio o envolvesse por completo."

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