Aproveitem a leitura sobre os Dragonitas - uma das linhagens mais brutais de Ghondaria.
Os Proscritos Selvagens
Nos primórdios da vida em Ghondaria, cada um dos Primevos tomou a resposabilidade de povoar tão exuberante mundo, a partir do barro e água do Lago da Criação.
O mais tácito dentre os Primevos, S'haanti observou de longe a ação dos demais, como um exemplo a ser seguido. Amava a vida selvagem mais que qualquer um deles, e desejava saber como seriam os povos que, mais tarde, coexistiriam com o seu.
Esperou até o anoitecer para que tomasse a iniciativa, quando os demais estivessem descansando. Suas garras afiadas talharam, no tronco dos carvalhos mais escuros e resistentes, os primeiros Dragonitas, e de seu sangue surgiu a vida em seu estado mais bruto.
Compartilhando o pulso da terra, os primeiros Dragonitas logo travaram contato com os Homens e Elfos, ostentando a selvageria do seu Criador e isolando-se nas matas mais densas. Por muito tempo, os Herdeiros de S'haanti seguiram o Dragão, mesclando-se à natureza selvagem e observando de longe o crescimento de seus “irmãos”.
O progresso incessante das demais Etnias causavam ódio nos Dragonitas, pois violava tudo que julgavam mais sagrado: o respeito à vida em toda sua amplitude. De um lado, Homens erigiam torres de pedra e ferro em troca da morte de árvores e animais; do outro, os Elfos invadiam a copa das árvores mais altas, construindo suas casas da madeira que antes pertencia apenas à floresta. A única companhia aceitável para estes bárbaros eram os Fenn-Rir que, enojados por tanto “crescimento”, rumaram para a insólita tundra de Bohrran.
A sede pelo progresso e força chegou ao seu ápice, e os desentendimentos iniciais ocasionaram o princípio da Guerra Arcana. Encobertos pelo temor, os Elfos convocaram S'haanti e seus Herdeiros para formarem o Pacto Natural – a força que, juntamente com os Fenn-Rir, salvaria Ghondaria da destruição. Suas palavras doces comoveram os Dragonitas, mas o impacto causado pela Guerra foi muito maior: milhares morreram nos campos de batalha, e sua força brutal era insuficiente contra as máquinas de guerra do Oeste.
O conflito estava próximo de um desagradável fim, e S'haanti precisou vencer seu orgulho. Enfrentou sozinho o ar gélido do Leste, para reunir os Fenn-Rir – que, até então, não se uniram ao Pacto. Suas palavras inspiraram os furiosos lobos, que rumaram sem pensar em um ataque suicida.
A Batalha de Allenaria teve seu fim e, graças à força dos Herdeiros de Fenn, os Homens foram sumariamente derrotados. Logus foi subjugado por S'haanti, e suas presas provaram do sangue daquele Primevo.
A Dissonância veio consequentemente, espalhando caos e sombras no mundo. Muitos Dragonitas se puseram à frente, na tentativa de se redimir pelo erro de seu líder – encontrando apenas a morte. O próprio S'haanti, ao se ferir com as próprias garras, convocou os Veneráveis mais poderosos que conhecia. Oferecendo-se para o sacrifício, o Dragão conseguiu afugentar a força do Destino, no episódio que mais tarde tornou-se conhecido como o Motim dos Espíritos.
Com a morte de S'haanti, nada restou para os Dragonitas. A Guerra quase dizimou seu povo e as florestas que tanto amavam, e o desprezo de Penitentes e Elfos tornou-se uma constante. Sem ter mais um abrigo, tornaram-se errantes – e passaram a viver o que lhes restou, divididos entre manter as tradições na floresta ou se adaptar ao novo mundo...
Características Naturais
De grande porte e força, Dragonitas são altos (média de dois metros de altura) e robustos (entre cem a duzentos quilos), e torso revestido por escamas densas e de cor variável, entre o verde-esmeralda e tons mosqueados. Seu semblante assemelha-se ao de um crocodilo, com mandíbula comprida, de presas curtas e pontiagudas, unhas rotas como as de um gorila e grandes olhos reptilianos. Os machos da espécie ostentam uma barbatana óssea sobre a cabeça, enquanto que as fêmeas possuem pequenas proeminências ósseas contornando sua testa (como uma pequena coroa – uma prova de S'haanti do apreço que tem por suas filhas).
Aspectos Culturais
Rústicos e inamistosos em uma primeira impressão, Dragonitas considerarão como um aliado todo aquele que compartilhar de suas crenças – ou seja, abandonar o mundo civilizado em troca da vida selvagem.
Mas não é a vida em si que merece o respeito dos Herdeiros de S'haanti – e sim, quem a rege. Desde seu nascimento, o contato com os Veneráveis – entidades espirituais de grande poder, responsáveis por um dos aspectos do mundo – tornou-se constante, a partir de rituais secretos e naturais. Com isso, surgiu a necessidade pelo isolamento: para estabelecer duradouras relações com um ou mais destas entidades. Tanto respeito justifica também o fato de poucos tentarem manipular o Destino – pois apenas aqueles que forem tocados pelos Veneráveis tornar-se-ão Xamãs (indivíduos versados na Doutrina Animista).
Independente de qual seja sua opção, a vida de um Dragonita terá um desfecho semelhante. Atualmente, este povo sofre com o rancor dos demais que até então eram desprezados. Caça, escravidão e morte tornaram-se comuns, a ponto de quase extinguir sua existência.
Para cada Herdeiro de S'haanti, a sobrevivência deixou de ser um direito para ser um privilégio – apenas para quem lutar por ele com todas as forças, é claro...
Religião
O culto a S'haanti é mantido por todos os Dragonitas, independende de qual região viva ou suas motivações – supõe-se que seja apenas uma questão de respeito, visto que o Dragão Selvagem não recebeu a mesma consideração dos Veneráveis. Inclusive, a divisão entre os Dragonitas se deu justamente após a morte de S'haanti, que desencadeou o conflito entre os Herdeiros. Da pequena população que sobreviveu ao longo combate, alguns optaram pela adaptação ao Deserto, que parecia mais agradável para sobreviver; outros, porém, resolveram sustentar as tradições de seu povo.
Para aqueles que seguem os preceitos do Dragão, o Mundo Real tornou-se sua morada e o contato com os Sonhos que permeiam suas terras é quase inexistente. Graças a essa falta de tato com as Entidades, apenas os Xamãs conseguem ter o acesso (ainda que limitado por seus próprios Sonhos) com S'haanti e outras Entidades – por essa razão, as lideranças de cada tribo tornam-se sua responsabilidade.
Logo, os seguidores mais ardorosos de S'haanti possuem a seguinte compreensão sobre seu líder Ancestral.
S'haanti, o Pastor Selvagem
Autoridade máxima para os Dragonitas, sua imagem sempre será a do dragão Ancestral, de couro verde-esmeralda e garras de marfim escuro. No lugar de sua crista, ostentava a pele de um grande urso pardo, caçado por suas próprias garras;
Mote: No ápice do festim que oferecera a seus filhos, S'haanti disse aos quatro ventos: “Aja sempre pelo instinto e com o coração pulsante de uma fera, e serás sempre uno com a selva”;
Pecado: O Pastor Selvagem despreza a mesquinhez e a ganância, e odiará aqueles que deixarão a floresta morrer por sentimentos tão ínfimos;
Ordenações: O Pastor Selvagem cobra dos Xamãs os seguintes deveres:
- Ensinar seus seguidores a respeitar as feras, as árvores e os espíritos viventes;
- Mostrar respeito pelos impulsos e territórios de outros seres florestais;
- Lembrar seu povo da destruição ocorrida no passado;
- Não deixar que os costumes ensinados por S'haanti sejam esquecidos.
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