Saudações a todos que estiverem acompanhando esta história. Pretendo continuar com a Noite Sem Fim neste momento, já que a história toma um rumo cruel a partir deste ponto.
Aproveitem a leitura!
Parte Um
O sono era pouco capaz de conter a euforia de Olívia, que reuniu seus poucos pertences para mais uma viagem. Aguardava pelo ciclo de Lazzuria, pois era o único meio de orientação durante a Penumbra, para definir seu roteiro de viagem.
A teimosia de Maxwell não estava em seus planos, e não sabia qual direção tomar para encontrá-lo novamente. Por esta razão, decidiu ir até Magdalene: estava certa de que lá encontraria qualquer informação relevante sobre a composição daquele autômato.
Após o embarque, a jovem afundou-se naquele livro. Passou algum tempo em análise daqueles registros - boa parte deles com imprecisões em sua caligrafia.
Seu diário estava bem ao seu lado, por ter em suas páginas o parco domínio sobre o vocabulário prímal de Ghondaria, que constituiu os idiomas atuais. Com paciência e dedicação, a Arqueóloga conseguiu decifrar algumas informações surpreendentes.
Os tipos de estrutura descritos no livro são diferentes de tudo que seus olhos já viram durante a graduação. Não existia nanhum procedimento relacionado à Metamagia e, tampouco, qualquer fórmula Alquímica: seu processo de criação é possível apenas com o apoio de instrumentos da mais alta complexidade, e manipulações científicas provavelmente além das capacidades atuais de seu povo.
"Mas, o quê significa isso?" Os dados traduzidos davam margem para novas perguntas, em vez de respostas.
Deixou-se levar tão a fundo em sua pesquisa, que nem percebeu o passar das horas. Apenas o apito do trem a lembrou do fim daquela viagem - juntamente com a forte apreensão em Highwoods, visível na face de cada um de seus moradores...
***
Em maior distância, Ledger cumpre o mesmo trajeto que sua vítima. Não podia viajar de trem, graças à inesperada prisão em Magdalene.
Com o apoio de seus comparsas, conseguiu disfarçar-se como um mascate. Na carroça velha e rude, mercadorias roubadas deveriam ser entregues em Highwoods - como armas para os bandidos lá instalados - e as rotas comerciais controladas por seu Sindicato dariam-lhe a segurança para seguir viagem.
O que mais o intrigava, no entanto, era o propósito de Olívia. Ficou curioso após receber a seguinte informação de seus contatos: um Golem idêntico a um Redlander, e consciente! Com certeza, é algo a ser visto com seus próprios olhos.
Sabia que tal busca contraria as ordens de seu patrão, bem conhecido por como lidar com falhas; mas, por outro lado, sua constatação e controle poderiam assegurar seu perdão, e privilégios no futuro.
Dois dias de jornada foram necessários para que o renegado pudesse alcançar o seu destino, na calada da noite. Fora imediatamente recepcionado por dois capangas, que o esperavam no portal talhado em madeira, à entrada da cidade.
- Bem-cindo, chefe.
Ledger desceu da carroça, batendo suas roupas para tirar o pó das estradas. Retirou o chapéu largo e surrado de sua cabeça, o suor detido pelos frios ventos do Oeste.
- Como estão as coisas por aqui?
Antes de responder, um dos patifes gesticulou para o parceiro, conferindo-lhe o controle do coche.
- A um passo da guerra, senhor. Os ataques de Dragonitas aumentam, e não irá demorar muito para que os Elfos apareçam.
- E o Leeds?
O bandido franziu o cenho, demonstrando certa decepção.
- É a pedra em nosso caminho. Não fosse por sua influência, já teríamos acabado com ele.
O recém-chegado retirou, de uma bolsa oculta em seu poncho, uam peça fina: uma faca, presa em uma singular bainha de couro negro. Sua lâmina, curva e alva como as presas de uma serpente, possuía um sulco central em cada lado, em toda a sua extensão.
- Então, irei cuidar disso.
O comparsa retirou, de um bolso, um pequeno frasco de cor esverdeada, e a entregou ao seu chefe.
- Esta dose irá servir. - Os olhos de Ledger refletiam-se no frasco, brilhando de satisfação...
***
Durante o ciclo, Olívia passeou pela cidade. Podia sentir a tensão em cada rua, nos rostos desconfiados de cada cidadão. Caminhou por lojas e ficou encantada por cada artigo entalhado em madeira, especialidade na região.
Não deixou de perceber, mesmo em meio a tanta movimentação, que um grupo a seguia. Permaneceu sem olhar para trás, e não conseguiu identificá-los com precisão. Apesar disso, suspeitas vieram à tona.
"Essa não... Ledger de novo!"
O comedimento deu lugar ao instinto. As pernas de Olívia assumiram outro ritmo, e a corrida buscou um lugar seguro.
- Pare aí mesmo! - A ordem se perdeu na multidão, apesar de bem ouvida pela jovem.
Os populares abriam caminho frente à perseguição, e a viajante estava encurralada - primeiro, pela superioridade numérica de seus inimigos; e, principalmente, pelo total desconhecimento da cidade.
Justamente por este motivo, a jovem acabou surpreendida por outros dois aliados, que vinham na direção oposta. A rua era estreita demais para outras possibilidades, e o cerco permitiu a identificação daqueles que a perseguiam.
Seus uniformes lembravam vagamente o fardamento da milícia de Magdalene, excetuando as proteções de ferro maciço. Carregavam consigo lanças e revólveres - uma combinação bem inesperada para o renome do local. O robusto líder do grupo vestia um casaco vermelho e reforçado, as placas de metal salientes sob o tecido conferindo-lhe ares de superioridade.
- Você vem conosco, mocinha! - Sua postura rígida e impassível se afirmou pela força em suas mãos, que a arrastaram pelas ruas como a uma ladra qualquer. A escolta pouco podia fazer para ocultar seus movimentos, e afastava com rispidez os curiosos.
Caminharam até um largo edifício, afastado da periferia. Em cada parede, estandartes em vermelho vivo sustentavam um escudo dourado, e um elmo em seu centro. Uma baioneta emergia em seu topo, completava o símbolo, bem conhecido pela jovem.
"A Cavalaria Vermelha das Redlands", pensou. A fama logo lhe veio à cabeça, com o resgate de tantas histórias. A bravura endurece os olhos destes homens, preparados para toda sorte de perigos. Lembrava-se da sua infância, quando seu irmão desejava fazer parte da corporação.
Foi levada para dentro, até chegar em uma cela bem arejada e vazia. Seus pertences foram recolhidos e cuidadosamente analisados pelos guardas, pois o seu líder ficou frente a frente com a prisioneira. O silêncio permaneceu até a conclusão da revista.
- Nada de relevante, senhor.
- Muito bem. - Respondeu, alisando seu espesso bigode com os dedos. - Então... o que a trouxe a Highwoods, mocinha?
- Estou a serviço da Companhia Sandwolves. Meu destino é Allaniya, e fiz uma paragem antes de prosseguir.
- Hum... - O cavaleiro franziu o cenho, sus olhos fixos nas informações dadas pelo cartão de afiliados. "Olívia Redfield, Arqueóloga". Identificou com facilidade o modelo criptográfico no cartão, uma medida eficaz contra falsificações.
A esta altura, os guardas haviam preparado a mochila da jovem, um deles a levando até o seu líder.
- Se você está a serviço da Companhia, por que fugiu de nós? - O olhar incisivo do militar intimidou a viajante, que precisou esforçar-se um pouco mais para manter a compostura.
- Me deixei levar pelo medo. - Respondeu, igualmente incisiva. - Desde Magdalene, estou sendo seguida por um assassino dos Coiotes Escuros.
As sobrancelhas do cavaleiro se erguem frente à tanta franqueza.
- Conte-me mais, mocinha.
Olívia prosseguiu com seu depoimento. Usou de astúcia para engendrar os fatos mais recentes em uma iomplacável perseguição: o assalto em seu primeiro trem, a morte brutal de sua Tia e a emboscada na frente da Academia passaram a ser parte da "queima de arquivo", de tão relevante o conteúdo de sua pesquisa.
O argumento foi suficiente para convencer o chefe da guarda, e sua cela foi aberta. Reunia os pertences para sair quando recebeu uma nova intervenção dos soldados, que bloquearam o seu caminho.
- Você está livre de minhas suspeitas, mas não deixarei que saia. - Seu tom de autoridade se afirmou novamente. - Ficarás aqui, até que o perigo seja eliminado em seu caminho. Ou não me chamo Jessie William Leeds!
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