quarta-feira, 23 de novembro de 2011

NOITE SEM FIM - Segundo Ato: CAMINHOS

Bem, bem, bem... Depois de uma longa permanência em meu próprio mundo, volto a este para contar mais sobre minha terra. Esta noite, darei continuidade à Noite Sem Fim - pois acredito que muitos de vocês estejam curiosos sobre a história.

Aproveitem a leitura!

Parte Cinco

- "Espere-me no portão da Academia quando 'anoitecer". Que idiota!

O vento frio tornou a espera de Olívia muito mais difícil. Com um relógio prateado de bolso nas mãos, conferia o horário novamente.

Meia-noite em ponto.

Não aguentava mais esperar por uma proposta tão vazia, e voltava para sua estalagem quando esbarrou em um manto encapuzado.

- Ora, se não nos vemos de novo! - A voz rouca lhe era bem familiar, remontando seus tempos de graduação em Carson.

A jovem sente a pressão atar-lhe o antebraço, e sua intuição mostrou-se acertada.

- Não esperava vê-lo tão longe de casa, Ledger. - A entonação cínica tornou-se, para ela, sua melhor defesa. - No mínimo, levou bronca de seu patrãozinho...

Apenas o murro certeiro do sujeito conseguiu aquietá-la, e o desequilíbrio a levou ao chão pavimentado.

- A língua sempre afiada, não é? - O valentão nada fez para conter sua ira, para o total contentamento da viajante.

- E você, sempre agindo pela covardia... - Uma escarrada rubra tingiu a rua. - Por isso que nunca será mais que um capanga.

Veias estouravam na testa de Ledger, e a impaciência guiou suas mãos até o coldre em sua cintura.

- Você tem sorte, garotinha. Se o Don a quisesse morta, eu já o teria feito há anos.

Por mais que tentasse esconder, Olívia sabia bem disso. Aquele homem trabalhava para Don Knives, um dos bandidos mais temidos em toda Ghondaria. E no seu grupo, a infame Confraria dos Coiotes Escuros, trabalhavam os assassinos mais cruéis do deserto.

- Mas eu não tenho mais nada que possa interessar ao Don. Nem faço mais parte da Companhia, como você já deve saber.

- Eu não sei o que o chefe quer com você, garota. - Pigarreou. O ruído da folga em seu coldre indica o meio escolhido para sua intenção. - Mas não estou te dando uma escolha. Virás comigo até Carson, querendo ou não.

- Não seja tolo, Ledger. - Indagou a jovem, segura de si. - Para tudo neste mundo há uma escolha!

O estalo de armas engatilhando surpreendeu o bandido que, a esta altura, já estava cercado por quatro guardas a serviço de Magdalene. Cada um destes manteve seu Rifle em riste, visando a cabeça do surpreso fora-da-lei.

- Eu aconselho a não se mexer, cavalheiro. - Olívia reafirmou seu ar zombeteiro, enquanto limpava seu nariz ensanguentado com um lenço de seu bolso. - Do contrário, meu amigos podem não ser tão gentis...

Ledger deixou que os guardas o algemassem, para ser imediatamente conduzido à prisão. Ficou encarando a jovem no mais absoluto silêncio, com um sinistro sorriso. Ela sabia bem o porquê de tudo aquilo: como braço direito de Knives, ele logo estaria livre para persegui-la por onde quer que fosse.

Um homem de porte distinto aproxima-se da jovem. Seu fino traje vermelho, adornado por dragonas douradas em cada ombro, reforçavam sua posição perante os demais guardas.

- Agradeço em nome da guarda de Magdalene, por seu apoio.

O embaraço ficou evidente em Olívia.

- Diga o que podemos fazer para recompensar sua astúcia.

Antes que qualquer resposta ficasse clara, uma mulher se aproxima. Vestia um longo manto, branco e fino como a seda. Seus cabelos igualmente alvos pairavam no céu noturno, e seu rosto bem talhado pelos anos de vida denunciavam sua longa carreira.

- Não preocupe-se com isto, General Blake.

- Oh. - Uma mesura cordial foi a melhor resposta para a súbita presença daquela dama. - Como desejares, Senhorita. Se me derem licença, providenciarei o cárcere para o recém-capturado meliante.

Uma nova mesura complementa o fim da conversa, para o enfado das mulheres.

- Esses cavalheiros seriam mais eficazes, se a formalidade não fosse tão constante... - O desabafo daquela senhora despertou o bom humor de Olívia, e seu sorriso mal pôde ser contido.

- Então, finalmente conheço a jovem que causou comoção entre os alunos da Academia. - O discurso informal prosseguiu, com satisfação. - Qual o seu nome?

- Redfield. Olívia Redfield. - Apresentou-se, intimidada por tão singular presença.

- Muito prazer, Olívia Redfield. Me chamo Annabell.

Mas tal apresentação era dispensável para ela, por saber muito sobre a Prefeita de Magdalene. Já tinha visto aquela mulher durante sua graduação, ainda que à distância; mas o exemplo de altruísmo e determinação de sua linhagem permanece vivo até hoje.

- Agora, que tal sairmos do frio e bebermos um bom chá em minha casa? Pois tenho algo importante para lhe mostrar...

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